TEMÁTICA

Este espaço destacará o túmulo de personalidades famosas do meio artístico e histórico- cultural, sem qualquer conotação político-partidária ou religiosa doutrinária.


ARTE TUMULAR

Existe um tipo de arte que poucas pessoas conhecem, a chamada arte tumular. Deixando-se de lado o preconceito e a superstição, encontraremos nos cemitérios, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze de personalidades famosas. É um verdadeiro acervo escultórico e arquitetônico a céu aberto, guardando os restos mortais de muitas personalidades imortais de nossa história, onde a morte se torna um grande espetáculo da vida neste lugar de maravilhosas obras de arte e de grande valor histórico e cultural brasileiro. Através da representação, a simbologia de saudades, amor, tristeza, nobreza, respeito, inocência, sofrimento, dor, reflexão, arrependimento, dá sentido às vidas passadas. No cemitério, a arte tumular é uma forma de cultura preservada no silencio e que não deverá ser temida, mas sim contempladas.

“MEMENTO, HOMO, QUÍA PULVIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS.

“Lembra-te, ó homem, de que és pó e ao pó has de voltar.”

segunda-feira, 1 de maio de 2017

BATUÍRA - ANTONIO GONÇALVES DA SILVA - Arte Tumular - 381 - Cemitério da Consolação, São Paulo

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ARTE TUMULAR
Área tumular de formato quadrado, tendo do lado direito uma laje de formato retangular, em mármore, que encerra o túmulo., com uma placa de bronze com o seu nome e datas. A área restante é recoberta com pedras portuguesas, ladeado por quatro colunas em alvenaria e revestida com argamassa, uma de cada lado, sustentando um gradil de bronze que protege o túmulo.

Local:  Cemitério da Consolação, São Paulo
Rua 11 - Terreno 37

Foto: Douglas Nascimento (São Paulo Antiga)
Descrição tumular: Helio Rubiales





PERSONAGEM
Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Batuíra, (Águas Santas, 19 de março de 1839 — São Paulo, 22 de janeiro de 1909), foi uma importante personalidade do espiritismo brasileiro.
Morreu aos 69 anos de idade.

SINOPSE BIBLIOGRÁFICA
Nascido em Portugal, na freguesia de Águas Santas, hoje integrada no conselho de Maia, emigrou com onze anos de idade para o Brasil desembarcando na Guanabara a 3 de Janeiro de 1850. Viveu até aos quatorze no Rio de Janeiro, então capital do Império.

Durante três anos trabalhou no comércio da Corte. Depois passou para Campinas, São Paulo, onde ficou por algum tempo até que se transferiu definitivamente para a capital paulista, que na ocasião deveria possuir menos de 30 mil habitantes. Durante os primeiros anos, foi distribuidor do Correio Paulistano.
À época, não havia bancas de jornais nos lugares públicos. A entrega se fazia à tarde, de porta em porta, e tão somente aos assinantes. Como entregador de jornais, fez amigos e admiradores. Parece que neste período que aprendeu a arte tipográfica, certamente nas próprias oficinas do Correio Paulistano.

Batuíra dedicou-se depois à fabricação de charutos. Assim, com bastante trabalho e economia, ele fazia crescer suas modestas finanças, o que lhe permitiu esposar a Srta. Brandina Maria de Jesus, de quem teve um filho, Joaquim Gonçalves Bartuíra.

Investiu parte de seu dinheiro na compra de áreas desvalorizadas,  onde hoje é a rua Lavapés, iniciando a construção de pequenas casas para alugar, tornando-se assim um abastado proprietário, cujos haveres traduziam o fruto de muitos anos de trabalho.

Na ocasião em que tudo parecia correr bem, falece, quase repentinamente, o filho único de sua segunda esposa, D. Maria das Dores Coutinho e Silva, uma criança de doze anos.

O casal buscou consolo na Doutrina dos Espíritos. Tão grande foi a paz que o Espiritismo lhes proporcionou, que Batuíra desejava que seus amigos tivessem conhecimento daquela abençoada fonte de esperanças novas.

No ano de 1889, Batuíra passou a ser, na cidade de São Paulo, o agente exclusivo do "Reformador", função de que se encarregou até 1899 ou 1900. No dia 6 de Abril de 1890, restabeleceu o Grupo Espírita Verdade e Luz que havia muito "se achava adormecido".
Amigo de Azevedo Marques, conseguiu com ele a experiência necessária para em 1890 lançar o jornal Verdade e Luz, a primeira publicação dedicada ao espiritismo em São Paulo. Adquiriu então uma pequena tipografia, destinada a divulgação e propagação do Espiritismo, editando a publicação quinzenal chamada "Verdade e Luz", que atingiu no ano de '897, a marca de 15 mil exemplares.

Batuíra era também médium curador, sendo centenas as curas de caráter físico e espiritual que obtinha ministrando água efluviada ou aplicando "passes magnéticos".

Mas destacou-se principalmente pela figura bondosa que era ao acolher escravos fugidos em sua propriedade, o qual só os deixava partir se alforriados pelos seus senhores, e também por sua notável dedicação ao espiritismo.

Ele criou grupos e centros espíritas em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, os quais animava e assistia. Realizou conferências sobre diversos temas doutrinários, em inúmeras cidades de vários estados, ocasião em que também visitava e curava irmãos sofredores. Distribuiu milhares de livros pelo interior do país.

Batuíra, unido a outros confrades ilustres, constituiu na capital paulista, em maio de 1908, a União Espírita do Estado de São Paulo, que federaria todos os centros e grupos existentes no Estado.

No final da vida abriu mão de todos os seus bens para os mais pobres e sua casa abrigou a instituição beneficente “Verdade e Luz”. Posteriormente em sua homenagem a rua onde morava foi batizada de Rua Espírita, que existe até os dias hoje.

MORTE
Batuíra viria a falecer em 22 de janeiro de 1909 e curiosamente está sepultado bem próximo de seu grande amigo em vida, Joaquim Roberto de Azevedo Marques, no Cemitério da Consolação, em São Paulo.

Fonte: pt.wikipedia.org e São Paulo antiga
Formatação : Helio Rubiales

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