TEMÁTICA

Este espaço destacará o túmulo de personalidades famosas do meio artístico e histórico- cultural, sem qualquer conotação político-partidária ou religiosa doutrinária.


ARTE TUMULAR

Existe um tipo de arte que poucas pessoas conhecem, a chamada arte tumular. Deixando-se de lado o preconceito e a superstição, encontraremos nos cemitérios, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze de personalidades famosas. É um verdadeiro acervo escultórico e arquitetônico a céu aberto, guardando os restos mortais de muitas personalidades imortais de nossa história, onde a morte se torna um grande espetáculo da vida neste lugar de maravilhosas obras de arte e de grande valor histórico e cultural brasileiro. Através da representação, a simbologia de saudades, amor, tristeza, nobreza, respeito, inocência, sofrimento, dor, reflexão, arrependimento, dá sentido às vidas passadas. No cemitério, a arte tumular é uma forma de cultura preservada no silencio e que não deverá ser temida, mas sim contempladas.

“MEMENTO, HOMO, QUÍA PULVIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS.

“Lembra-te, ó homem, de que és pó e ao pó has de voltar.”

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

MARCELO REZENDE - Arte Tumular - 410 - Cemitério de Congonhas, São Paulo.

Sepultamento




Marcelo Rezende
Em 2016, na pré-estreia do filme Os Dez Mandamentos.
Nome completoMarcelo Luiz Rezende Fernandes
Nascimento12 de novembro de 1951
Rio de JaneiroRio de Janeiro
Morte16 de setembro de 2017 (65 anos)
São PauloSão Paulo
Nacionalidadebrasileiro
OcupaçãoJornalista e apresentador de televisão



PERSONAGEM
Marcelo Luiz Rezende Fernandes (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1951 — São Paulo, 16 de setembro de 2017) foi um jornalista, repórter e apresentador de televisão carioca.
Morreu aos 65 anos de idade.

SINOPSE ARTÍSTICA
O jornalista foi pai de Diego, Patrícia, Marcela, Carolina e Valentina - todos de cinco mães diferentes. Foi casado durante 19 anos. Ele tinha duas netas, um irmão não biológico e uma prima como colega de trabalho, a repórter Adriana Rezende, da Record TV Rio. Marcelo afirmava crer em Deus, mas sem filiação religiosa.

Integrou programas como Linha Direta, Cidade Alerta, Domingo Espetacular, Fantástico, Globo Repórter e Jornal Nacional São de sua autoria algumas das reportagens investigativas de maior impacto exibidas pela TV Globo na década de 1990, como a denúncia das sessões de espancamento e assassinato de moradores da Favela Naval, em Diadema, por integrantes da Polícia Militar de São Paulo. Mesmo não tendo formação acadêmica superior, destacou-se no jornalismo trabalhando nas redações das maiores organizações de mídia do país, como Grupo Globo, Record e Editora Abril.

SINOPSE BIBLIOGRÁFICA
A descoberta do jornalismo ocorreu de forma inusitada para o jovem carioca de classe média baixa que não queria estudar e virou hippie na Bahia. Marcelo tinha 17 anos, matriculado em um curso técnico de mecânica, foi visitar a redação do Jornal dos Sports no Rio de Janeiro, com o primo Merival Júlio Lopes, que trabalhava lá. No local, se ofereceu para ajudar um senhor que datilografava uma relação de clubes de várzea. Ele era diretor do jornal, que convidou Marcelo para estagiar. No Jornal dos Sports Rezende ficou até os 19 anos. "Volta para a mecânica, você não leva o menor jeito para ser jornalista, não presta atenção em nada", disse seu chefe. De muitas amizades, conseguiu rapidamente um emprego, na Rádio Globo, tendo sido logo depois, em 1972, convidado para trabalhar como copidesque no jornal O Globo. Ali teve a oportunidade de aproximar-se do ídolo Nelson Rodrigues e trabalhar com o colega Tim Lopes.

Depois de sete anos em O Globo, ele foi convidado para uma das mais importantes publicações da área de esportes, a revista paulistana Placar, da Editora Abril. Por oito anos e meio naquela redação, foi repórter, editor e chefe da sucursal no Rio de Janeiro. Cobriu a Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo, além dos Jogos Olímpicos e o título mundial de Flamengo e Grêmio em 1981 e 1983, respectivamente. Ainda em Placar, ele participou da reportagem que apurou escândalos na Loteria Esportiva em 1983. Registro raro é sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, onde Ayrton Senna era o entrevistado e Rezende, um dos entrevistadores convidados.

Em 1987, o repórter chegou à televisão, na área de esportes da Rede Globo. Cobriu os clubes do Rio de Janeiro e participou das transmissões dos jogos, por exemplo, a Copa América de 1989, na equipe de Galvão Bueno e Chico Anysio. A diretora-executiva de jornalismo Alice-Maria e o diretor-geral, Armando Nogueira, tinham outros planos e ele foi transferido para a editoria "Geral". A primeira cobertura policial foi o assassinato de um dos empresários mais ricos do Rio, José Carlos Nogueira Diniz Filho. Foi onde o instinto investigativo de repórter apareceu. Mas continuou na "Geral", fazendo fontes. Participou da transmissão do festival de música Rock in Rio, fez reportagem sobre a primeira rede de telefonia celular do Brasil e participou da cobertura do funeral de Ayrton Senna, em São Paulo.

Seu pai era diretor de uma unidade para menores infratores e depois se tornou coordenador de uma escola, que era chamada de "serviço assistencial ao menor". Foi nesse ambiente e convívio social que se apresentaria em reportagens investigativas e coberturas jornalísticas: a prisão dos sequestradores do empresário Roberto Medina, a busca ao paradeiro de PC Farias, o crescimento e as invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, a indústria da pirataria fonográfica chinesa e a corrupção na Confederação Brasileira de Futebol, CBF.

FAVELA NAVAL (Divisor de águas nos direitos humanos)
Em 1997, o caso dos dez policiais flagrados por cinegrafista amador torturando e atirando em pessoas durante operações na Favela Naval, em Diadema, SP, virou um marco em sua carreira. A TV Globo descreve no site Memória Globo que a reportagem, "pelo seu impacto e repercussão [inclusive internacional] entraria para a história da Globo e do jornalismo brasileiro". As gravações ocorreram nos dias 3, 5 e 7 de março, e transmitidas no Jornal Nacional em 31 de março daquele ano, com a advertência do apresentador William Bonner ao público das cenas que seriam mostradas. O motorista de um dos automóveis é esbofeteado e levado para trás de uma parede por um dos policiais. Os outros conversam tranquilamente enquanto se ouvem os gritos de súplica do rapaz que é espancado. Outro trecho mostra que o policial espancador chama o colega e, em seguida, dispara um tiro. Os dois PMs então se afastam e um deles guarda a arma e ri. A gravação também mostrava o assassinato do passageiro de um carro. Após a reportagem de Rezende foi lido um editorial da emissora. Do recebimento da fita e a exibição, Marcelo Rezende levou cinco dias confirmando a veracidade da história. Ele montou uma equipe com 13 profissionais, que o ajudaram nas investigações. Além de várias testemunhas, localizaram o homem que dirigia o carro no qual foi assassinado o mecânico que estava de férias e fora visitar um amigo. Rezende e sua equipe de reportagem também descobriu que, nos meses que antecederam o caso em, dezenas de denúncias já haviam sido encaminhadas às autoridades, mas que não tomaram nenhuma providência. O Caso Favela Naval é considerado um divisor de águas na questão dos direitos humanos no Brasil, que passou a ser disciplina obrigatória para formação de policiais, além da criação pelo Governo Federal da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos .

LINHA DIRETA (Violência simulada e em suspense na TV)
Em 1999, no Linha Direta, horário nobre da TV Globo, Rezende iniciou seu percurso como apresentador, sendo um dos criadores da nova versão do programa. Ele permaneceu na função apenas na primeira temporada. O programa de suspense e mistério tinha oficialmente o objetivo de combater a impunidade ao destacar casos que tivessem transitado na justiça e sido julgados, com condenados foragidos, e por meio das simulações de crimes dramatizados por atores, com base no inquérito, no processo e no depoimento de amigos e familiares. O jornalista trabalhou sete meses montando uma equipe de 50 profissionais, entre os quais 20 jornalistas, e contou com o apoio do centro de documentação da emissora e da Central Globo de Produção, na responsabilidade do diretor Roberto Talma.
Linha Direta foi um grande sucesso, com dezenas de denúncias diárias para a emissora e autoridades contra criminosos procurados pela Justiça por crimes de assassinato, estupro e sequestro. Meses antes da estreia, uma espécie de "piloto" (programa teste) do Linha Direta foi exibido no Fantástico, com uma entrevista exclusiva do "Maníaco do Parque", com trilha de suspense e análises de psicólogos e até astrólogos. No ano de 2010, na TV Bandeirantes, Rezende apresentou o Tribunal na TV, semelhante ao Linha Direta por causa das dramatizações de histórias, mas desta vez somente do ponto de vista do judiciário — o cenário era similar a um tribunal e não tinha o objetivo de encontrar fugitivos.

CIDADE ALERTA (Jornalismo policial, opinativo e informal)
Depois de deixar a TV Globo, em 2002, passou por três emissoras; Record, Band e RedeTV, onde apresentou o telejornal RedeTV! News - ficou por dois anos como apresentador do formato mais tradicional de telejornalismo. No Cidade Alerta, da Record, ele conseguiu se manter na TV e popularizar-se até entre jovens com bordões como "Corta pra mim!" e "Bota exclusivo, minha filha, dá trabalho pra fazer".
Por reestruturação na programação da Record, a primeira passagem dele pelo programa foi curta, entre 2004 e 2005. A segunda iniciou em junho de 2012. Desde então, ao lado do colega comentarista de segurança Percival de Souza, ele deu um novo tom ao formato, inédito nesse tipo de programa de rede nacional: intercalou as notícias de violência cotidiana com falas irônicas e brincadeiras com integrantes do programa, inclusive dos bastidores. A iniciativa é justificada pela longa duração na programação da Record - a transmissão chegou a ter quase 4 horas diariamente. Fundamental na estratégia de audiência do canal para o fim de tarde e começo da noite, o novo formato do Cidade Alerta alcançou altos índices de audiência, sempre com dois dígitos de pontos no Ibope, tendo seu auge nos anos de 2013 e 2014.
Foi destacada a apresentação de Marcelo Rezende na cobertura da histórica onda de protestos pelo país, em junho de 2013, que aconteciam no horário em que o programa era exibido. A adrenalina do "ao vivo" diário atrelada à forte personalidade do jornalista o fez soltar declarações polêmicas no ar: demonstrar apoio às manifestações populares aqui citadas, ser contra a reforma previdenciária do governo Temer, e ser favorável à pena de morte para crimes graves e à diminuição da maioridade penal.

DOENÇA
Doença e morte No começo do mês de maio de 2017, ele precisou ser internado no Hospital Albert Einstein devido a dores abdominais. Isto gerou especulações sobre o seu estado de saúde, uma vez que não foram divulgados boletins médicos . Em 14 de maio, a Record exibiu uma entrevista de Rezende para o programa Domingo Espetacular em que revelou o diagnóstico, semanas antes, de câncer pancreático com metástase no fígado. Ele demonstrou fé, pediu energia do público e anunciou o seu afastamento temporário do trabalho para fazer o tratamento. Desde então, e como forma de combater notícias falsas na internet sobre seu estado de saúde, ele utilizava suas redes sociais para divulgar vídeos informando sobre sua luta contra a doença, como quando declarou fazer um retiro espiritual .

MORTE
Morreu no dia 16 de setembro de 2017 às 17h45 no Hospital Moriah, de falência de múltiplos órgãos em decorrência de complicações do câncer de pâncreas .


Fonte: pt.wikipedia.org
Formatação: Helio Rubiales

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

JOÃO COELHO GONÇALVES LISBOA - Arte Tumular - 409 -Cemitério São João Batista,m Rio de Janeiro


ARTE TUMULAR
Túmulo em granito marrom claro,  retangular, disposto no sentido lateral com cerca de 80 cm. de altura. Um grande tampo, também em granito com  o seu nome e datas letras em bronze.
Local: Cemitério São João Batista,m Rio de Janeiro
Foto: Landry Dias
Descrição tumular: Helio Rubiales




PERSONAGEM
João Coelho Gonçalves Lisboa, mais conhecido como Coelho Lisboa (Areia, 27 de junho de 1859 — 11 de julho de 1918) foi um professor e político brasileiro. Foi senador pelo Estado da Paraíba entre 1905 e 1909, além de deputado federal de 1894 a 1899. Foi membro da Academia Paraibana de Letras.
Morreu aos 58 anos de idade.

SINOPSE BIBLIOGRÁFICA
João Coelho Gonçalves Lisboa nasceu na cidade de Areia (PB) no dia 27 de junho de 1859, filho de Teodósio Gonçalves Lisboa e de Josefa dos Santos Coelho e Silva. Formou-se pela Faculdade de Direito do Recife em 1884. Depois de formado foi promotor público na cidade natal, mas ocupou o cargo por poucos meses.

VIDA POLÍTICA
Iniciou sua vida política ainda durante o Império, defendendo as causas abolicionista e republicana. Nessa militância, proferiu palestras contra o Império nas províncias do Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Durante essas atividades, esteve ao lado de Aristides Lobo, também republicano histórico da Paraíba.

 Depois da proclamação da República (15/11/1889), foi nomeado chefe de polícia pelo presidente do estado da Paraíba Venâncio Neiva (1889-1891) e ingressou no Partido Republicano da Paraíba. Devido a desentendimentos políticos, rompeu com Venâncio Neiva e mudou-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal.

Com o início da Revolta da Armada, levante de oposição ao presidente Floriano Peixoto (1891-1894) que se estendeu de setembro de 1893 a março de 1894 e, sob a chefia do almirante Custódio de Melo e mais tarde do almirante Luís Felipe Saldanha da Gama, envolveu a esquadra sediada na baía de Guanabara, organizou e foi capitão do Batalhão 23 de Novembro, criado para defender o governo federal. Por essas atividades, foi nomeado professor do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, onde lecionou por muitos anos.

 Em 1894 foi eleito deputado federal pelo estado da Paraíba. Reeleito em 1897, ao final dessa legislatura, em 1899, deixou a Câmara dos Deputados, mas continuou suas atividades políticas na Paraíba e no Rio de Janeiro.

Em 1905 foi eleito senador pela Paraíba, na vaga aberta com o falecimento do então senador José de Almeida Barreto. Rompeu com o senador e ex-presidente da Paraíba Álvaro Lopes Machado e, sem o apoio dessa liderança, não conseguiu ser reeleito no ano de 1908. Durante os anos em que ocupou uma cadeira no Senado Federal, foi membro da Comissão de Redação.

 Em 1910 apoiou a candidatura do marechal Hermes da Fonseca à presidência da República. Quando este foi eleito, foi nomeado membro do Tribunal de Contas da União, mas declinou do convite. Pouco antes do final do governo do marechal Hermes (1910- 1914), rompeu politicamente com ele e apresentou ao Congresso Nacional uma denúncia contra o presidente que não foi acolhida.

 No campo jornalístico, colaborou com a Folha do Norte e A Verdade, ambos da Paraíba, e outros jornais do Rio de Janeiro. Foi fundador da Liga Nacional Contra a Seca, da Associação de Proteção e Auxílio aos Silvícolas do Brasil e da Liga Antioligárquica. Também foi um dos patronos da Academia Paraibana de Letras e professor da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 11 de julho de 1918.

CASAMENTO
Foi casado com Luísa Pizarro Gabino, com quem teve três filhos. Sua filha Rosalina Coelho Lisboa foi poetisa, jornalista, líder feminista e adepta da Ação Integralista Brasileira. Publicou Sublime dea, a ciência (segunda antítese D Terribilis Dea), Receita no dia 12 de maio de 1880 por ocasião da sessão solene em comemoração do segundo aniversário desta sociedade e publicada por amigos (1880) e Problemas urgentes: oligarquias, seca no Norte e clericalismo (1909). Raimundo Helio Lopes

FONTES: ABRANCHES, J. Governos; ACAD. PARAIBANA. LET. Disponível em: . Acesso em: 12/11/2010; Grande Enciclopédia Delta Larousse; LEITE NETO, L. Catálogo biográfico.
Formatação: Helio Rubiales

terça-feira, 12 de setembro de 2017

ROSALINA COELHO LISBOA - Arte Tumular - 408 - Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro


ARTE TUMULAR 
Túmulo de granito marrom, em formato retangular, com cerca de 80 cm. de altura, tendo na cabeceira tumular  uma construção circular (lápide) com o nome da família. No terço médio superior uma  cruz latina em relevo, logo abaixo o nome da poetisa gravado com as respectivas datas.
Local: Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro
Foto: Landry Dias
Descrição tumular: Helio Rubiales



PERSONAGEM
Rosalina Coelho Lisboa Larragoiti  (Rio de Janeiro,  15 de julho de 1900 - Rio de Janeiro, 13 de dezembro de 1975), foi uma poeta, romancista. Exerceu várias missões diplomáticas no Uruguai, Estados Unidos, Peru, Chile, Espanha e na ONU. Foi membro do Instituto de Cultura Hispânica e recebeu diversas condecorações. 
Morreu aos 74 anos de idade.

SINOPSE BIBLIOGRÁFICA
Filha de João Gonçalves Coelho Lisboa e de Luzia Gabizo Lisboa. Seu pai foi republicano histórico, deputado e senador federal pela Paraíba, além de professor do Colégio Pedro II e da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.
Educada por preceptoras estrangeiras, estudou línguas e, aos 14 anos, publicou o primeiro soneto, “A mágoa de Seringepata”, na revista Fon-Fon. Um ano mais tarde, tornou-se colaboradora assídua da revista Careta.

Casou-se pela primeira vez com o comandante Van Rademaker, com quem teve uma filha, e enviuvou aos 19 anos. Tendo ficado em situação econômica difícil, dedicou-se intensamente ao trabalho, escrevendo para jornais e revistas sob diferentes pseudônimos.

 Em 1920, começou a lecionar inglês no Instituto Benjamim Constant. Em 1922, publicou Rito pagão, livro de poemas premiado pela Academia Brasileira de Letras.

Casou-se em segundas núpcias com o norte-americano James Irvin Miller, vice-presidente e gerente-geral da United Press na América do Sul.

Anos mais tarde, no início da década de 1940, após conseguir a anulação desse casamento, contraiu novas núpcias com o empresário Antônio Sanchez de Larragoiti, diretor da companhia de seguros Sul América. Larragoiti, simpatizante do general Franco, havia prestado auxílio financeiro às forças franquistas na Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Entusiasta dos movimentos revolucionários da década de 1920, Rosalina escreveu artigos e pronunciou discursos enaltecendo os jovens oficiais envolvidos nos levantes, manifestando-se contra o exílio a que muitos deles foram forçados. Com o objetivo de auxiliar efetivamente esses exilados, realizou inúmeras viagens por diversos países da América Latina, em especial à Argentina, onde fixou residência por 12 anos.

Em artigo publicado pela imprensa carioca em 2 de maio de 1928, conclamava as mulheres brasileiras a promoverem a luta pela anistia. Entre os revolucionários com quem manteve estreito contato, destacava-se Antônio de Siqueira Campos. Foi partidária da Revolução de 1930, tendo proferido em 1929 um discurso em frente à Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro, contestando a política de Washington Luís. Defendia a intervenção da mulher na política, a igualdade de direitos entre os sexos e o aproveitamento da força de trabalho feminina.

Em 1930, representou a Paraíba no Congresso Feminino Internacional realizado no Rio Grande do Sul. Foi também a primeira mulher brasileira a ser enviada ao exterior em missão intelectual (Montevidéu, 1932). Em relação ao ensino, enfatizava a necessidade da adoção de educação moral e cívica nas escolas, como forma eficaz de promover a resistência ao comunismo.
Por solicitação de Getúlio Vargas, elaborou um programa de propaganda revolucionária pelo rádio. Foi a única mulher a fazer parte do comitê encarregado da aprovação e regulamentação da radiodifusão educativa no Brasil, em 1933. Rosalina pronunciou inúmeros discursos e escreveu artigos ressaltando a necessidade de formar-se uma frente única para o combate ao comunismo, cujas teorias considerava inadaptáveis ao continente. Acompanhara de perto os movimentos ocorridos em fins da década de 1920 e no início da seguinte no Chile, na Argentina, no Peru e na Bolívia, tendo defendido a política do presidente chileno Alessandri (1932-1938) e do caudilho argentino Uriburu (1930-1931) no combate ao comunismo.

Considerou que a Revolta de 1935 foi uma ação irrefletida e selvagem de alguns elementos influenciados pelo líder comunista Agildo Barata. Em seus artigos, exigia a punição dos envolvidos, ao mesmo tempo em que elogiava a forma como o governo havia sufocado o levante, aplaudindo as medidas tomadas por Filinto Müller. Em 1936, integrou, como plenipotenciária, a delegação do Brasil à Conferência Interamericana de Consolidação da Paz, realizada em Buenos Aires.

Adepta da Ação Integralista Brasileira (AIB), apoiou a candidatura do líder nacional Plínio Salgado às eleições presidenciais previstas para 1938. Entretanto, Vargas, disposto a manter-se na chefia da nação, entrou em entendimentos com Plínio Salgado, barganhando a participação deste nas articulações para um futuro golpe de Estado. O líder integralista, diante da promessa do presidente de dar-lhe participação no poder, aderiu à conspiração, com o apoio de uma fração da AIB. Em setembro de 1937, com a proximidade do golpe, foram estabelecidas estreitas ligações entre os integralistas que apoiavam a solução continuísta e Vargas. Um dos principais mediadores entre a AIB e o Catete, era Rosalina Coelho Lisboa.

Após o advento do Estado Novo (10/11/1937), os integralistas perceberam que suas reivindicações não seriam atendidas. Nessa ocasião, Rosalina serviu de emissária entre Plínio Salgado e Vargas, embora tenham sido inúteis suas tentativas de conciliação. Em decorrência disso, os integralistas romperam com o governo e prepararam os malsucedidos levantes de março e maio de 1938. Embora Plínio Salgado tivesse comprovado. que não participou dos levantes, Getúlio resolveu exilá-lo em Portugal, onde poderia controlar seus movimentos. Plínio passou a só lançar manifestos e tomar atitudes após consultar Vargas, tendo como intermediários nessas consultas e pedidos Gustavo Barroso e Rosalina Coelho Lisboa. O apoio de Rosalina Coelho Lisboa ao golpe de Estado de 1937 é evidenciado pelos inúmeros artigos que escreveu sobre o mesmo, pelos discursos proferidos em solenidades cívicas e pela correspondência que trocou com Getúlio Vargas. Em carta de 12 de novembro de 1937, Alzira Vargas agradecia, em nome do pai, as informações enviadas por Rosalina, as quais tinham sido de grande utilidade nas articulações para a implantação do Estado Novo. Em 1938, voltou a compor, como plenipotenciária, uma delegação brasileira, desta feita à VIII Conferência Interamericana, realizada em Lima. Rosalina pronunciou-se sistematicamente em favor da autonomia dos governos sul-americanos, especialmente o brasileiro, em face dos vínculos de dependência que mantinham com os países hegemônicos.

Assim, durante a Segunda Guerra Mundial, quando os norte-americanos pressionavam o governo brasileiro para utilizar-se de bases militares brasileiras no combate às forças do Eixo, Rosalina recomendava a Vargas que só concedesse o uso do território enquanto país aliado, e jamais por submissão. Contrariada com o rompimento de relações entre o Brasil e o Eixo (1942), participou de uma conspiração contra Vargas, financiada por seu marido, no início de 1943. Entretanto, o golpe, que tinha a finalidade de desagregar o governo, e impedir o esforço de guerra, não foi deflagrado, por ter chegado ao conhecimento de Vargas. Este fato, contudo, não prejudicou o bom relacionamento de Rosalina com o presidente da República.

Com o fim da guerra em 1945, Rosalina passou a defender o maior estreitamento das relações entre o Brasil e os demais países sul-americanos, especialmente a Argentina, o Chile e o Peru, aconselhando Vargas a desenvolver uma política de auxílio devido à situação privilegiada do Brasil. A partir deste mesmo ano, passou a ocupar a diretoria dos Diários Associados encarregada das sucursais de Lisboa, Madri e Paris. Em 1951, foi delegada do Brasil à VI Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Paris. Nessa ocasião, propôs o projeto de abolição dos castigos corporais aplicados aos negros na África do Sul, o que levou a Corte Interamericana de Justiça a considerar racistas as leis sul-africanas.

Pronunciou-se na imprensa a favor do divórcio, apoiando a campanha iniciada pelo senador Nélson Carneiro em 1951. No entanto, teve pouca participação no segundo governo de Vargas. Em geral, mostrava-se solidária com sua política internacional, embora discordasse de muitos aspectos de sua política interna. Em dezembro de 1952, quando Carlos Lacerda atacou violentamente Vargas em um jornal carioca, Rosalina manifestou solidariedade ao jornalista, em defesa da liberdade de imprensa. Em fevereiro de 1954, foi eleita membro do conselho consultivo do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais. Em julho do mesmo ano, alguns jornais divulgaram a notícia de que seu nome seria apresentado, juntamente com o do senador Mozart Lago, como candidata do Partido Social Progressista (PSP) ao Senado. Rosalina, entretanto, recusou a indicação.

MORTE
Afastada da vida pública por longo tempo, Rosalina Coelho Lisboa morreu no Rio de Janeiro no dia 13 de dezembro de 1975.

 Além de artigos em O Globo, Jornal do Brasil, O Jornal, Correio da Manhã e A Nação, publicou Rito pagão (poesia, 1922), O desencantado encantamento (ensaios, 1927), Conferências (1927), Passos no caminho (poesia, 1932), El mensaje cosmico del Quijote (ensaios, 1950), Almafuerte (ensaios, 1951) e A seara de Caim (romance, 1952). O arquivo de Rosalina Coelho Lisboa encontra-se depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas. Sílvia Pantoja

 FONTES: ARQ. ROSALINA COELHO LISBOA; CARONE, E. Estado; CONSULT. MAGALHÃES, B.; Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; Jornal do Brasil (15/12/75); MELO, O. Marcha; RIBEIRO FILHO, J. Dic.; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1938; Who’s who in Latin.
Formatação: Helio Rubiales