TEMÁTICA

Este espaço destacará o túmulo de personalidades famosas do meio artístico e histórico- cultural, sem qualquer conotação político-partidária ou religiosa doutrinária.


ARTE TUMULAR

Existe um tipo de arte que poucas pessoas conhecem, a chamada arte tumular. Deixando-se de lado o preconceito e a superstição, encontraremos nos cemitérios, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze de personalidades famosas. É um verdadeiro acervo escultórico e arquitetônico a céu aberto, guardando os restos mortais de muitas personalidades imortais de nossa história, onde a morte se torna um grande espetáculo da vida neste lugar de maravilhosas obras de arte e de grande valor histórico e cultural brasileiro. Através da representação, a simbologia de saudades, amor, tristeza, nobreza, respeito, inocência, sofrimento, dor, reflexão, arrependimento, dá sentido às vidas passadas. No cemitério, a arte tumular é uma forma de cultura preservada no silencio e que não deverá ser temida, mas sim contempladas.

“MEMENTO, HOMO, QUÍA PULVIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS.

“Lembra-te, ó homem, de que és pó e ao pó has de voltar.”

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

DALVA DE OLIVEIRA - 78 - Arte Tumular - Cemitério Parque Jardim da Saudade, Sulacap, Jacarepaguá, Rio de Janeiro,


ARTE TUMULAR
A lápide é uma placa de mármore escuro sobre a grama, com a data do seu nascimento e morte e o seu nome de nascimento e artístico.
LOCAL:Cemitério Parque Jardim da Saudade, Sulacap, Jacarépagua, Rio de Janeiro,
Túmulo nº407-A
Foto: Encarte de "Rainha da Voz", caixa de com CDs , Guilherme Primo e Carlos Gomes
Descrição tumular: Helio Rubiales
PERSONAGEM
Vicentina Paula de Oliveira, conhecida como Dalva de Oliveira, (Rio Claro, 5 de maio de 1917 — 31 de agosto de 1972) foi uma cantora brasileira.
Morreu aos 55 anos de idade.
BIOGRAFIA
Nasceu Vicentina Paula de Oliveira, nome banal para quem iria fazer o Brasil inteiro atirar-se a seus pés, com sua voz filetada a ouro, estilhaçadora de cristais, predestinada a cantar sob uma eterna luz de um abajur lilás.
Foi num 5 de maio de 1917 que Dalva de Oliveira veio ao mundo, na cidade paulista de Rio Claro. Filha da portuguesa Alice do Espírito Santo de Oliveira e do mulato festeiro Mário de Oliveira, o Mário Carioca, marceneiro na Companhia Paulista de Trens e tocador de saxofone nas horas vagas, fazedor de filhas: quatro. Sua vidinha de menina pobre poderia se contada em vinte ou duzentas laudas, sem que ninguém confiasse numa vírgula que fosse relatado. A receita que lhe foi dada pelo destino, convenhamos, era amarga: foi ser faxineira, costureira - tudo bem, profissões dignas. Mas uma quase cegueira? logo naqueles olhos verdes da mulata, tão cismadores e fatais?
Passagem por orfanato, infância com poucos brinquedos, mas, felizmente, com muita música. A vida lhe reservaria algumas tragédias. Mas podemos fotografá-la em muitos momentos: cantando, por exemplo, no alto de um banquinho, acompanhada pelo pai, e depois sob a lona de circos, já adulta. Nada fazia prever que aqueles olhos verdes iriam cegar multidões. Fez-se cantora por vocação, e quase nunca feliz por desíginio. Juntou-se à dupla Preto e Branco, para depois formar o célebre Trio de Ouro, logo sintonizado por Villa-Lobos que, pelos quatro cantos, espalhava que ali estava a maior cantora do Brasil. O branco da antiga dupla, é bom que se esclareça, era Herivelto Martins. Um dos maiores compositores brasileiros de todo os tempos. Com que, aliás, se casou e teve dois filhos, Pery e Ubiratan. Pery herdaria a voz e os olhos da mãe, e o imenso talento do pai. É bom não esquecer que o negro da dupla era Nilo Chagas, que, igual a Ismael Silva, era conhecido também como um negro de alma branca - sem atinar para a carga pejorativa desse aparente elogio.
A ruptura do casamento de Herivelto e Dalva foi manchete escandalosa de todos os jornais e provocou a mais polêmica das polêmicas musicais já acontecidas no Brasil. Desfeito o Trio de Ouro em 1949, Dalva assume sua carreira solo. Se Francisco Alves era o Rei da Voz, faltava uma rainha para o trono. Dalva, claro. As prensas da Odeon eram insuficientes para atender aos sucessos que jorravam de sua voz, de agudos fulminantes. Enquanto isso, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim escrevia alguns arranjos para ela. A partir de 1951, praticamente não se ouvia outra voz nas paradas de sucesso - apesar das estrelíssimas Linda e Dircinha Baptista, do surgimento de Emilinha Borba e Marlene que, aliás, lhe entregaria o cetro e o trono de Rainha do Rádio, e que seria um dia entregue a uma outra mulata, igual a Dalva, modesta, chamada Ângela Maria.
Dalva trilhava a escola de Aracy Cortes, Ângela agora seguia o rastro de Dalva. O casarão na Rua Albano 142, em Jacarepaguá, conhece em 52 um novo habitante, o argentino Tito Climent, que passa a administrar sua vida, fazendo-a retirar-se do Brasil por um tempo, sob os olhos suspeitos dos amigos da Rainha.
Casou-se com ele numa igreja de Montmartre. Foi levada a Londres para gravar com a famosa Orquestra de Roberto Inglez e, de lambujem, soltar seus agudos diante da Rainha da Inglaterra. Na Argentina sua voz juntou-se aos bandoneóns de Francisco Canaro e seu grupo de tangos. Um outro amor surgiria, ela já com 47 anots, Nuno com 19.
Amores, desditas, tragédias, quem não as teve? Dalva sabia como desatinar sua vida, arebanhar inquietações, jogar seu barco na tempestade.
A imprensa continuava monitorando sua vida e seu copo, e um fato novo novamente a coloca nas manchetes dos jornais: um desastre pavoroso em seu carro deixa, em agosto de 1965, um rastro de mortos no caminho, e aquela mulher de baixa estatura, cabelos agora alourados, vê-se atirada, agonizante, num hospital. Todo o país fica com a respiração suspensa, uma pergunta sufocando as gargantas: voltaria a cantar? Escapou e, com seu novo e jovem amor, voltou para "seu Shangri-lá" na rua Albano, que sofreria uma reforma inacabável. Do acidente sobrou uma cicatriz, rasgando-lhe o rosto. os tempos eram outros, uma nova geração surgia e sobrou pouco espaço para aquela voz embargada de lágrimas e soluços, com o sentimento transbordando à flor dos ossos.
Poucas cantoras atingiram uma escala de empatia com o público como Dalva. Com a bebida pontuando sua vida, ela fez-se refletir no espelho das canções que, de alguma forma, rasuravam suas desditas. Mas sempre reverenciando seu público, as mãos cruzadas sobre o peito, num discurso sincero: "É como sempre digo, eu não tenho fans, tenho amigos. Obrigada". Rica às vezes, infeliz quase sempre, andando de ônibus no final da vida - ela se autobiografa modestamente em seu folhetim, ocultando ter sido quem realmente foi: não somente Rainha, mas Porta-Voz de todos aqueles que ficaram à margem da vida.
Vida que ela a deixou às 17:15 horas de um 31 de agosto de 1972, espalhando um rastro de luz e um fio de voz que, até hoje, se esparrama qual um prisma luminoso sobre todas as vozes que, de alguma forma, foram embevedar-se em seu coração.
MORTE
faleceu vítima de hemorragia no esôfago.
Fonte: Hermínio Bello de Carvalho (Encarte de "Rainha da Voz", caixa de com CDs)
Formatação e pesquisa: Helio Rubiales

Um comentário:

  1. Prezado dono do blog, existe um erro em sua publicação. O local de sepultamento está equivocado. Dalva de Oliveira foi enterrada no Cemitério Parque Jardim da Saudade de Sulacap no Rio de Janeiro no túmulo 407-A / Setor 1. Este cemitério fica em Jacarepaguá. Carlos.

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