TEMÁTICA

Este espaço destacará o túmulo de personalidades famosas do meio artístico e histórico- cultural, sem qualquer conotação político-partidária ou religiosa doutrinária.


ARTE TUMULAR

Existe um tipo de arte que poucas pessoas conhecem, a chamada arte tumular. Deixando-se de lado o preconceito e a superstição, encontraremos nos cemitérios, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze de personalidades famosas. É um verdadeiro acervo escultórico e arquitetônico a céu aberto, guardando os restos mortais de muitas personalidades imortais de nossa história, onde a morte se torna um grande espetáculo da vida neste lugar de maravilhosas obras de arte e de grande valor histórico e cultural brasileiro. Através da representação, a simbologia de saudades, amor, tristeza, nobreza, respeito, inocência, sofrimento, dor, reflexão, arrependimento, dá sentido às vidas passadas. No cemitério, a arte tumular é uma forma de cultura preservada no silencio e que não deverá ser temida, mas sim contempladas.

“MEMENTO, HOMO, QUÍA PULVIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS.

“Lembra-te, ó homem, de que és pó e ao pó has de voltar.”

domingo, 22 de março de 2009

AMÉLIA DE BEAUHARNAIS - 34 - Arte Tumular - Cripta sob o Monumento da Independência do Ipiranga, São Paulo


ARTE TUMULAR
O complexo escultórico do Monumento da Independência do Ipiranga, de autoria de Ettore Ximenez, de 1921, onde há 131 peças esculpidas em bronze, abriga a cripta da Capela Imperial, que  foi construída para abrigar os despojos da família real. O revestimento do teto é em mármore amarelo e os demais em granito lapidado de Ubatuba, escuro e esverdeado. Nas paredes, ao fundo dos nichos, encontram-se esferas armilares, símbolo do período dos descobrimentos marítimos portugueses. . Em 1972, ano do sesquicentenário da Independência, os restos mortais de D. Pedro I que estava no panteão da Família Real portuguesa, convento de São Vicente de Fora em Lisboa, foram trazidos para o Ipiranga e sobre o tampo onde estavam os seus despojos havia, além da imagem da coroa imperial, uma reprodução da espada usada pelo imperador no dia 7 de setembro de 1822 e a representação simbólica da primeira constituição política do Brasil, outorgada em 1824. Sobre o sarcófago  de D.Pedro I existe uma réplica da Coroa Imperial. Na parte frontal, estão colocados os brasões do Brasil Império e dos arqueduques e arqueduquesas da Áustria do século XIX. Na parte frontal, os brasões do País no tempo do Império e da Casa de Bragança. Os despojos da Imperatriz Leopoldina, que estavam no Convento de Santo Antonio no Rio de Janeiro, foram transladados em 1954, nas comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo. Os sarcófagos são em granito verde ornado com aplicações douradas com os respectivos nomes gravados na parte frontal.
*Em 1982, os restos mortais de Dona Amélia de Beaurhar Beaurharnais, duquesa de Leuchtemberg (segunda esposa do Imperador), também vieram de Lisboa para a Capela.
LOCAL: Cripta do Monumento da Independência do Ipiranga, São Paulo, Brasil
Fotos: Thiago Sousa, Alemiro Jr., Victor Hugo Mori, Eli Kaisaka e commons.wikipedia.org
Descrição tumular: Helio Rubiales


PERSONAGEM
Dona Amélia Augusta Eugênia Napoleona de Beauharnais (Milão, 31 de julho de1812 — Lisboa, 26 de janeiro de 1876), princesa de Leuchtenberg, foi a segunda consorte de D. Pedro I (Pedro IV de Portugal durante sete dias).
Morreu aos 64 anos de idade.
BIOGRAFIA
Família, infância e juventude
D. Amélia foi a quarta filha do general Eugênio de Beauharnais, 1° duque de Leuchtenberg e sua esposa, a princesa Augusta da Baviera. Seu pai era filho de Josefina de Beauharnais e seu primeiro marido, o visconde Alexandre de Beauharnais, bem como filho adotivo de Napoleão Bonaparte, que o fez vice-rei da Itália. Sua mãe era filha do reiMaximiliano I José da Baviera e de sua primeira consorte, a princesa Augusta Guilhermina de Hesse-Darmstadt.
Entre os irmãos de Amélia estavam Josefina de Leuchtenberg, rainha consorte de Óscar I da Suécia, e Augusto de Beauharnais, príncipe consorte de D. Maria II de Portugal(enteada de Amélia). Napoleão III foi seu primo-irmão.
Amélia de Leuchtenberg passou a sua infância e parte de sua juventude em Munique. Ela foi oficialmente apresentada à corte da Baviera no Natal de 1828, aos dezesseis anos.
CASAMENTO
Após a morte de sua primeira esposa, a arquiduquesa austríaca Maria Leopoldina, em dezembro de 1826, D. Pedro I do Brasil mandou buscar na Europa uma segunda esposa.
O marquês de Barbacena desempenhou um importante papel nessa missão. Ele passou meses procurando uma princesa na Europa.
A convenção matrimonial de 30 de maio de 1829 foi ratificada em 30 de junho, em Munique, pela mãe e tutora da noiva, a duquesa de Leuchtenberg. Em 30 de julho daquele ano, foi confirmado, no Brasil, o tratado do casamento de Sua Majestade e Amélia de Leuchtenberg.
A cerimônia do casamento foi realizada em Munique, a 2 de agosto daquele ano, na capela do palácio de Leuchtenberg, e o noivo foi representado pelo próprio marquês de Barbacena. Amélia tinha apenas dezessete anos e seu novo marido, trinta anos.
O marquês de Barbacena teve grande dificuldade em achar uma noiva, pois a fama do imperador não era boa na Europa, em parte por causa de Domitília de Castro e Canto Melo, sua polêmica amante.
VINDA AO BRASIL
Amélia de Leuchtenberg chegou ao Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1829, na fragata Imperatriz, vinda de Ostende, na Bélgica. Acompanhavam-na a bordo o marquês de Barbacena e a pequena dona Maria da Glória. A futura Maria II de Portugal, a quem o pai renunciara seus direitos ao trono português em 1828, ainda estava sem o trono por causa da usurpação e aclamação de seu tio Miguel I, patrocinada pelaÁustria. Quando o marquês soube da usurpação em Gibraltar, ele, ao invés de entregar Maria da Glória ao avô materno, imperador da Áustria, seguiu com ela para Londres e, de lá, trouxe Amélia de Leuchtenberg.
O casal recebeu as bençãos nupciais na capela imperial no dia seguinte.
Amélia vinha ainda acompanhada pelo irmão mais velho, de dezenove anos, Augusto de Beauharnais, 2.° duque de Leuchtenberg, que foi condecorado pelo imperador, em 5 de novembro de 1829, com o titulo de duque de Santa Cruz. Mais tarde, Augusto casaria-se com Maria da Glória, tornando-se seu primeiro marido.
VIDA COMO IMPERATRIZ
Encantado com a beleza da segunda esposa, D. Pedro I criou, para homenageá-la e para comemorar a ocasião, a Imperial Ordem da Rosa. No decreto de criação da ordem, também assinado por José Clemente Pereira, secretário de Estado dos Negócios do Império, diz Dom Pedro I:
Querendo perpetuar a memória de meu faustíssimo consórcio com a princesa Amélia de Leuchtenberg e Eichstaedt por uma instituição útil que, assinalando esta época feliz, conserve-a em glória na lembrança da posteridade.
Ao chegar ao palácio de São Cristóvão, percebendo a falta de protocolo que reinava, Amélia impôs à corte como língua oficial o francês e o protocolo de uma corte européia. Pedro I tentou trazer para junto de si, no palácio, a duquesa de Goiás, a filha bastarda que teve com amarquesa de Santos, mas Amélia recusou-se a tê-la no palácio.
DE VOLTA A EUROPA
Após a abdicação de D. Pedro I ao trono do Brasil, em 7 de abril de 1831, D. Amélia seguiu com o marido de navio para a Europa. Encontrava-se grávida de três meses e sofreu muito com enjôos. O primeiro porto a ser alcançado foi do Faial, no arquipélago dos Açores. Após se reabastecer, o navio seguiu viagem rumo a Cherburgo, na França.
Na França, D. Amélia estabeleceu residência em Paris, com a sua enteada, a rainha - sem trono - de Portugal, D. Maria da Glória, e com D. Isabel Maria, a duquesa de Goiás, que acabaria adotando por filha. No dia 30 de novembro de 1831, a imperatriz deu à luz a uma menina, a princesa Maria Amélia de Bragança.
Enquanto isso, Dom Pedro I empreendia uma encarniçada luta contra o seu irmão, Miguel I, pelo trono português, em nome de sua filha, Maria da Glória. Quando, vitorioso, conseguiu retomar o trono para a sua filha, que voltou a reinar como D.Maria II. Assim, Amélia foi residir com o marido no Palácio de Queluz, emLisboa.
VIÚVA E ÚLTIMOS ANOS
Com o falecimento de D. Pedro I, em 24 de setembro de 1834, D. Amélia dedicou-se a obras de caridade e ao cuidado de sua única filha, Maria Amélia.
Por volta de 1850, após o falecimento de Pedro V de Portugal, seu enteado-neto, Dona Amélia retornou para a Baviera com sua filha. Essa última, vindo a contrair tuberculose, fez com que ambas se mudassem para Funchal, na Ilha da Madeira. Todavia, Maria Amélia não resistiu e faleceu, aos vinte e dois anos de idade, em 4 de fevereiro de 1853.
MORTE
Após a morte da filha, Amélia voltou a residir em Lisboa, onde morreu em 26 de janeiro de 1876, aos sessenta e quatro anos. Seus restos mortais jazem na Cripta Imperial do Monumento à Independência do Brasil, em São Paulo, trasladados para o Brasil, em 1982 por iniciativa do então governador Paulo Maluf.
Fonte:pt.wikipedia.org
Formatação e pesquisa: Helio Rubiales

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